Primeiro Encontro - Vamos Marcar?

Vamos subir a Serra de Itabaiana ?


    Foto: Da esquerda pra direita de baixo pra cima, Eduardo, Rafael, Ana, Ariel, Ana Luzia e Jaime(que homem).

Do nada, o jovem Ariel sugeriu ao velho parceiro de rolês aleatórios, Rafael, fazer um acampamento da sexta para o sábado no topo da Serra de Itabaiana, região do agreste sergipano. A serra fica entre os municípios de Itabaiana e Areia Branca (vai que as pessoas que estejam a ler isto não sejam de Sergipe). Enfim, o convite foi aceito e estendido aos amigos de outras atividades e trabalhos de Rafael — afinal, ele era o elo entre Ariel e o restante do grupo. Esse encontro seria o primeiro acampamento de Eduardo, Jaime e Luzia, irmã de Rafael. Mesmo sabendo que a serra estava sem água, a galera decidiu subir, empolgada para estrear as barracas e viver uma noite de desconforto e medo. Quem nunca?

Enfim, o convite foi aceito e estendido aos amigos de outras atividades e trabalhos de Rafael — afinal, ele era o elo entre Ariel e o restante do grupo. Esse encontro seria o primeiro acampamento de Eduardo, Jaime e Luzia, irmã de Rafael. Mesmo sabendo que a serra estava sem água, a galera decidiu subir, empolgada para estrear as barracas e viver uma noite de desconforto e medo. Quem nunca?

Uma vez marcado, só aguardar o desenrolar do dia...

A saída ficou combinada para a tarde do dia 12 de março de 2021, por volta das 15h. Enquanto isso, Rafael e Jaime — que até aquele momento Jaime ainda não tinha certeza se iriam — tentavam organizar o resto da sexta-feira. Os dois trabalhavam no mesmo local e planejavam sair um pouco mais cedo para preparar as coisas e chegar no horário combinado. Ariel e Ana estavam à espera para que Rafael e Luzia deixassem a moto na casa de Ariel, de onde seguiriam juntos até o ponto de encontro: um hipermercado na zona norte de Aracaju, local estratégico por onde passam a maioria dos ônibus com destino ao interior sergipano. Lá, encontrariam Eduardo, que morava “perto, mas não tão perto” — sabe aquele tipo de distância que parece curta no mapa, mas demora mais do que devia? Detalhe curioso: Ariel só conhecia Eduardo por foto de WhatsApp, e como todos sabemos… o que está na foto pode até parecer igual, mas quase sempre diferente, não foi caso.

Quando Rafael e Luzia chegaram na casa de Ariel para deixarem a moto, depois de ajeitada a moto na garagem, estavam pronto para pegar um uber e irem até o local de encontro com Eduardo. Rafael viu em seu celular dezenas de ligações e milhares de mensagens no seu whatssap. Uma situação de urgência  que ele tinha que resolver... Retornou a ligação...  Rafael teve que deixar a barraca com sua irmã e mandou os três irem até o encontro com Eduardo, que depois ele iria de moto. Isso já era umas 15:30. Rafael passou o telefone de Eduardo para que Ariel e vice-versa, para que eles se comunicassem e adiantassem para chegarem lá antes de escurecer, não adiantou muito. Chegaram a noite mesmo!


Foto: Barra de Eduardo

Nenhum dos dois se conheciam até esse momento, tinha tudo para dar errado, para ter um desencontro e quase teve. 

Depois de resolvido a situação de urgência e em paralelo Rafael conversava com Jaime... Jaime informou interesse de ainda querer ir, isso já era mais de 16:00, mas queria ir por volta das 17:00, um pouco tarde para subir uma Serra, mas era o que tinha, subir a noite tem aquele risco de encontra com alguns animais peçonhentos, além do risco de se perder e de queda, NUNCA FAÇAM ISSO em locais que você não conhecem, não foi o caso.

Saíram de Aracaju umas 17:30, seguiram em direção a Areia Branca, antes de subir passaram em uma mercearia para comprar água  e alguma carne, compraram um kilo de bisteca  e frango congelados  e algumas bananas da terra, Jaime questionou se iriam descongelar a tempo de consumir ainda naquela naquela noite. Sabe de nada "inocente". 

De acordo com Rafael que estava fora de formar, foi uma caminhada sofrida e exausta. Jaime estava bem preparado, achou de boa e suave!

Chegando perto do acampamento, Rafael evocou o corvo da noite para indicar que estava chegando. Para quem nunca ouviu  HAAAAAAAA, HAAAAAAA, ficou um pouco assustado com o som no meio da escuridão.

Todos estavam juntos, armando as barracas e conversando sobre a subida e preparando a fogueira. 


Foto:Janta sobre as pedras 
A fogueira foi feita com troncos e pedaços de madeira seca encontrados nas redondezas do acampamento. Em poucos minutos, o fogo já crepitava e iluminava os rostos cansados, mas satisfeitos, do grupo. Depois de uma caminhada de quase uma hora e meia serra acima, aquele “lanche” prometia ser um verdadeiro banquete, pense como caiu muito bem.

Com a massa de cuscuz preparada, veio o primeiro desafio culinário da noite: perceberam que a cuscuzeira estava sem a parte de apoio para colocar a massa. Eduardo, experiente e sagaz na cozinha, pediu um pano para improvisar uma solução. Luzia ofereceu a sua bandana — que, segundo ela, estava limpinha e sem uso, diz ela. Problema resolvido! O cuscuz foi posto para cozinhar enquanto o cheiro da bisteca temperada com sal e limão se espalhava pelo ar. 

As bistecas foram assadas sobre uma pedra aquecida pela fogueira, assim como as bananas-da-terra, enquanto o frango ganhava cor e sabor numa pequena frigideira. Quando tudo ficou pronto, o resultado foi simples, mas delicioso — e para quem tinha vencido a trilha, parecia o melhor jantar do mundo.

Depois de se alimentarem, os jovens desbravadores da noite decidiram explorar um pouco mais. Caminharam pela escuridão da serra, guiados apenas pelas lanternas, em busca do melhor ponto de observação. Lá do alto, as luzes da capital do agreste brilhavam à distância, como um tapete de estrelas no chão. Entre risadas, fotos e aquele sentimento de liberdade que só uma noite assim pode trazer, ficou a certeza de que aquelas memórias seriam difíceis de apagar.


Foto: Luzes da Cidade de Itabaiana 

E a noite passou — sofrida para uns, e para outros também. Às 4h20 da manhã, entre o calor e o som constante do mexe-remexe dentro da barraca de Jaime, que simplesmente não encontrava uma posição confortável para dormir, o grupo começou a despertar. A madrugada foi curta, e o descanso, quase inexistente. O amanhecer trouxe um tempo fechado e uma neblina tão densa que impossibilitou a visão do nascer do sol — aquele momento mais esperado da subida. Ainda assim, ninguém parecia frustrado. No fim, tudo deu certo: Jaime e Eduardo aprenderam o que era preciso ajustar para que, da próxima vez, a noite fosse mais tranquila e, principalmente, mais confortável.

Na caminhada de volta, o cansaço se misturava com risadas e histórias da noite anterior. Foi então que, num ponto da trilha conhecido como “o monte” — onde, segundo dizem, o pessoal da igreja costuma fazer seus sermões — o grupo se deparou com um cesto fechado com uma pedra encima. A cena, envolta em neblina, parecia saída de um filme de terror: o silêncio, o vento frio e aquela cesta misteriosa no meio do caminho. Brincando, alguém comentou que a pedra devia estar ali para impedir “a saída de alguma entidade”. Todos riram, mas a verdade é que, por um segundo, ninguém quis chegar muito perto. Só faltou o demónio balaçar o cesto e aparecer para completar o cenário!

Pouco a pouco, o sol foi abrindo caminho entre as nuvens, revelando novamente a trilha. O grupo desceu em ritmo leve, comentando sobre o esforço, as falhas do improviso e o sabor da comida feita no improviso da noite anterior. A cada passo, a sensação era de dever cumprido — e de que aquela aventura, simples mas autêntica, ficaria guardada na memória como um daqueles dias em que tudo podia ter dado errado, mas acabou sendo perfeito exatamente por isso.

Já de volta à estrada, com o corpo cansado e a alma leve, a conversa girava em torno de uma promessa unânime: “da próxima vez, vamos planejar melhor… mas vamos!”. Era o tipo de promessa que todos sabiam que cumpririam — porque, no fundo, aventuras assim nunca têm uma “última vez”.


Foto: Amanhecer na Serra de Itabaina







No final deu tudo certo...
Até aproxima aventura, que pode ser próxima semana, ou próximo, ou próximo ano... Ou pode não ser...
Vamos marca?
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