Pedra da Arará - Macambira

 Não tô fazendo nada mesmo!...


Vamos ali na Pedra da Arará, fazer a primeira trilha de 2022?

Foto: Pedra da Arará

  Foto: Pedra da Arará

    De acordo com nosso "guia" que já foi lá uma vez, mas dessa vez que a gente foi o mato tava mais alto, mas não tanto, o caminho tava certo, mas porém, vamos pelo outro lado que parece ser o caminho percorrido... E assim teve inicio a primeira trilha de 2022.

  Saímos de moto de Aracaju com destino ao município de Macambira, onde estão os atratativos turísticos da Pedra da Arará e da Cachoeira da Macambira, onde iríamos fazer a primeira trilha e acampamento de 2022, mas antes de ir até o destino paramos em um mercadinho na região de Macambira, compramos calabresa, ovos e água mineral, apenas uma garrafa de 1,5 Lm (erro no planejamento). Além disso ganhamos da mulher do comerciante local algumas verduras para complementar e melhorar nossas refeições( jantar e café da manhã). 

Foto: Eduardo pilotando e Ariel na garupa da moto, caminho da cacheira da Macambira, Município de Macambira.
 Foto: Eduardo pilotando e Ariel na garupa da moto, caminho da cacheira da Macambira, Município de Macambira.

    Ao seguirmos em direção à trilha, fomos surpreendidos por dois cachorros que pareciam curiosos com a gente. Eles começaram a nos acompanhar pela trilha, correndo animados, como se já conhecessem o caminho. 

Foto: Cachoros da trilha

A cada parada, eles nos esperavam, abanando o rabo e pedindo um pouco de atenção. Decidimos deixá-lo seguir conosco — afinal, boa companhia nunca é demais em uma aventura.


Foto: Aril, Rafael e Eduardo admirando a natureza


    Chegando à Pedra da Arará, o cenário era simplesmente impressionante. Parecia coisa de outro mundo — um daqueles lugares que só se vê em filmes ou em sonhos. A imensa formação rochosa erguia-se diante de nós com uma imponência quase mística, contrastando com o céu azul intenso e o verde seco da vegetação ao redor. O vento soprava forte, fazendo ecoar um som grave entre as fendas da pedra, como se a própria natureza quisesse nos dar as boas-vindas. Cada passo revelava novos ângulos e detalhes. Paramos por alguns minutos em silêncio, admirando a grandiosidade da paisagem — era impossível não se sentir pequeno diante daquela obra-prima esculpida pela natureza.

Foto: Pedra da Arara
   

     Quando a noite chegou, montámos o acampamento próximo ao paredão de pedras, bem ao lado do Rio Vaza-Barris, que corria sereno. A temperatura caiu rapidamente, e o vento frio parecia atravessar a  barraca, fazendo o tecido balançar e emitir um som suave, quase como um sussurro da natureza. O chão, apesar de relativamente plano, era duro. O barulho constante dos insetos e o estalar do mato ao redor criavam uma sinfonia inquietante que tornava o sono leve e cheio de sobressaltos.

Foto: Lagarto Teiú 


De repente, um barulho forte ecoou pelo acampamento — um lagarto teiú despencou do alto do paredão e caiu a poucos metros de nós. O susto foi geral. Por um instante, ficámos preocupados que alguma pedra pudesse se soltar também e vir abaixo. Os cachorros, que estavam deitados próximo a barraca, se levantaram assustados, latindo e correndo em volta das barracas. Um dele com medo quase entrou dentro da barraca de Ariel, que empediu o acesso do animal asssutado.


Foto: Folgueira do acampamento

    Depois do susto, a calmaria voltou aos poucos. Reforçámos a fogueira, e o calor reconfortante das chamas ajudou a afastar o frio e o medo. Sentados em volta do fogo, partilhámos algumas histórias e risadas, além de preparar nosso jantar, tentando relaxar antes de deitar novamente. O cachorro, exausto, acabou por se enrolar perto das brasas, dormindo tranquilo enquanto nós lutávamos contra o desconforto e o vento que insistia em soprar durante toda a madrugada. Foi uma noite longa, de pouco descanso, mas que ficou gravada na memória como uma daquelas experiências que só a aventura é capaz de proporcionar.


foto: folgueira vista de dentro da barraca

    Na manhã seguinte, ainda com o corpo cansado e os olhos pesando de sono, levantámo-nos com o primeiro raio de sol que atravessava o paredão de pedras. O cheiro de fumaça da fogueira da noite anterior ainda pairava no ar, misturado ao aroma fresco da mata úmida. Recolhemos as panelas e utensílios usados no jantar e fomos até o Rio Vaza-Barris lavar a louça e, claro, aproveitar para tomar um bom banho. 

O primeiro mergulho foi um choque — a água fria pareceu atravessar a pele e alcançar até os ossos — mas logo veio a sensação de alívio. Cada músculo parecia se renovar, como se o rio carregasse embora o cansaço das horas mal dormidas. Ríamos, brincávamos, por alguns instantes, tudo era paz: o som da correnteza, o canto distante dos pássaros e a leve brisa que balançava as folhas sobre nossas cabeças.


Foto: Rio Vaza Barris

Sentados à beira do rio, deixámos o sol secar lentamente a pele enquanto observávamos a paisagem que nos cercava. O Vaza-Barris corria sereno, contornando pedras e raízes antigas, como um velho sábio que conhece cada curva e cada história daquele lugar. O som da água misturava-se ao canto dos pássaros e ao farfalhar das folhas, criando uma melodia natural que parecia embalar o tempo. Ficámos ali em silêncio, apenas sentindo — o calor do sol, o vento leve no rosto. Foi nesse instante simples, longe de qualquer pressa, que entendemos o verdadeiro sentido da viagem: mais do que chegar a um destino, era sobre estar presente, sobre partilhar momentos genuínos com os amigos e com a natureza. Era sobre redescobrir a paz nas pequenas coisas, e deixar que o mundo, por um momento, voltasse a ser simples outra vez.






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